16 novembro 2015

REVIEW | Ano, de Ângela Serrão


Foi com grande satisfação que descobri que, há alguns meses, consegui ganhar o meu primeiro livro, numa espécie de passatempo, nas redes sociais.
Digo espécie de passatempo porque a Ângela, amiga aqui destas andanças de blogues e youtube, resolveu festejar o dia do livro, oferecendo alguns exemplares do (único) livro da sua autoria.

Desde já, quero agradecer à Ângela por esta oferta e pela oportunidade de conhecer a sua obra. A única coisa que a Ângela pediu foi uma opinião sincera e é isso que podem esperar das minhas palavras que encontrarão já a seguir.

"Ano" é uma colectânea de doze contos que simbolizam a dura mas bela passagem da vida. De forma a encantar mas também fazer o leitor reflectir, Ano mostra-se como uma viagem destinada.


Este é um daqueles livros que se lê um ápice. Lembro-me de o ter lido com uma vontade voraz e fora de casa, sem post its ou lápis, que me pudessem possibilitar a escrita de algumas notas a acompanhar a leitura e os sentimentos desencadeados. Por essa razão, espero que a memória não me atraiçoe e me consiga expressar claramente, nesta mesma opinião.

Este livro é composto por doze pequenos contos, cada um deles correspondendo a um mês do ano, abordando diferentes sentimentos. Numa das primeiras páginas, temos uma lista de "sentimentos e paragens de percursos" que penso poder relacionar-se com os textos que vamos poder encontrar daí para a frente.

Os contos que constituem este livro são curtos mas carregados de simbolismo, frases carregadas de significado e metáforas que, e tenho que vos confessar, em algumas das vezes, julgo não ter alcançado o seu significado por completo. Mas eu gosto de livros assim: que me fazem viajar e pensar, que me continuam a consumir dias após ter terminado a leitura. Livros que não me dizem tudo de forma clara e que me falam nas entrelinhas. Livros que sei que, se lhes pegar anos mais tarde, sei que vamos ter um diálogo completamente diferente.


Pessoalmente, adorei os contos referentes ao mês de:
~ Março: pelo engenho da construção da narrativa, o entrecruzar de vidas e de acções de diferentes personagens.
~ Abril: pela beleza do sentimento.
~ Junho: pela dor que partilhei com a personagem e pelos sentimentos que despertou em mim.
~ Julho: por falar comigo sobre algo que sempre me preocupou, a fugacidade da vida, o aproveitar o momento como se não houvesse amanhã.
~ Dezembro: envolto em nevoeiro que me fez recordar textos de Fernando Pessoa.


Apesar de ainda jovem, a escrita da Ângela é simples e cativante. Gosto da forma como nos transporta para as diferentes histórias, brincando com as palavras e mesclando sentimentos e sensações:

"(...) não é justo para as crianças serem acusadas de algo que os adultos também padecem - falta de tempo" (p. 9)

" André gritara, fazendo Maria aninhar-se numa bola de susto." (p. 20)

"Tu sabes que faz, não te mintas." (p. 36)

No entanto, como leitora senti que precisava de mais. Nunca fui muito amante de contos, tenho que confessar. Quero sempre mais das histórias que leio e sinto sempre que há pormenores que podiam ser melhor explorados. Mas isso é um problema meu, eu sei. Que não considero mau, de todo! Significa apenas que o livro que me envolveu e que queria mais.

Não poderia deixar de referir que a capa desta obra é lindíssima, para além de que se enquadra perfeitamente na temática do livro e no simbolismo da passagem do tempo e da fugacidade da vida. Tic Tac, Tic Tac... o relógio não pára de andar...



E há algo mais que gostaria de mencionar em relação a este livro. Desta vez não directamente relacionado com a autora, mas com a editora. 
Eu tenho o hábito de ler tudo quando pego num livro para ler. E por tudo, pretendo dizer, capa, orelhas, contra capa, informação editorial, enfim, tudo o que está ali no meio daquelas folhas. E tenho a dizer-vos (atenção que não sei se esta informação surge em todos os livros da editora, uma vez que julgo só possuir este) que a Chiado Editora me fez ficar com um sorriso de orelha a orelha, quando li a citação que deixaram, junto à informação editorial:


Leitura e opinião feita, gostava só de vos dizer que acabei por dar 4 estrelas a este livro, pela forma como dialogou comigo e pela beleza de alguns dos contos, mas também porque sei que a Ângela tem bastante potencial para continuar a trabalhar com esta coisa das letras. 
Sei que este é um daqueles livros que pode tocar de forma diferente a cada leitor que o lê, o que suscitará também, diferentes opiniões. 


Título Original: Ano
Autor: Ângela Serrão
Editora: Chiado Editora
Data: 2014
Páginas: 67
Onde comprei: Oferecido pela autora
ISBN9789895115914
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