15 março 2017

REVIEW | O Rapaz e o Pombo, de Cristina Norton


Título: O Rapaz e o Pombo
Autor: Cristina Norton
Editora: Oficina do Livro
Data: 2016
Páginas: 272
Classificação Pessoal:
Goodreadsaqui
Temas: Segunda Guerra

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A história, passada entre os anos 1930 e 1958, gira à volta de três personagens. A principal é um rapaz judeu, que descobre o ódio, o desalento, a ternura e o amor à vida. As personagens à volta dele representam todas as pessoas que passaram por uma das maiores injustiças de todos os tempos. Cristina Norton sentiu também que tinha o dever de escrever e denunciar o que por vergonha as mulheres que haviam sido obrigadas a prostituir-se nos campos de concentração não ousavam contar.
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[Livro gentilmente cedido pela editora para uma review sincera]

A HISTÓRIA
Como começar a falar sobre este livro??

Que história... tão triste mas com outros momentos mais bonitos, cheios de ingenuidade e sem maldade, como só o olhar de uma criança pode ser.

"Devo lembrar-me de quem sou, de onde venho, do meu nome 
e apelido, do que foi a minha curta vida antes de ser conhecido 
por um número. De como tudo começou antes daquela 
tarde em que encontrei um pombo ferido."
(pág. 7)

É com este parágrafo que começa a nossa história. Uma narrativa que nos fala de um rapaz de oito anos, sem nome próprio ~ o rapaz pombo ~, que pode assim representar qualquer criança que viveu entre 1930 e 1958 e sofreu na pele as atrocidades da Segunda Guerra.


À volta deste rapaz, outras personagens - também elas sem qualquer nome - vêem as suas vidas transformadas em consequência dessa mesma guerra. São elas os pais do rapaz pombo, a irmã do rapaz pombo, os avós, e por aí adiante. Elas representam tantos outros seres humanos que passaram pelas mesmas dificuldades.


Sendo uma história sobre a temática da Segunda Guerra, já muitos de vós consegue imaginar o que pode encontrar nestas páginas. Mas posso garantir-vos que vão encontrar aqui muita coisa nova e diferente, especialmente a presença da voz feminina. A voz de mulheres que foram obrigadas a prostituir-se nos campos de concentração, por exemplo, facto que foi inspirado na vida de uma amiga da autora.  Essas mulheres eram torturadas e sofriam a sangue frio, nas mãos de médicos: "(...) e prenderam-me os pés, as mãos e a cabeça com cintos grossos e, assim, lúcida, sem anestesia nem um cheirinho de clorofórmio, queimaram-me o útero e os ovários com raios. A dor era tão insuportável que devo ter desmaiado (...)" (pág. 154).

Encontrarão também informações sobre o nosso país, nesse período: a recepção de refugiados e os movimentos de ajuda aos mesmos. Os avós do rapaz pombo, exilados por estas terras, onde não "lhes era permitido trabalhar, apenas permanecer" (pág 176), também nos vão descrevendo os locais por onde vão passeando e demonstrando o seu apoio aos judeus refugiados.


Outro dos temas centrais nesta obra são as experiências científicas que eram realizadas nas crianças, nos campos de concentração. Ler sobre alguma das atrocidades que se faziam por lá, fez-me sentir pequenina. Há passagens que vos vão deixar de lágrima no canto do olho, de tão tristes e realistas que são. Meninos obrigados a crescer, separados dos pais, sozinhos e completamente alheios ao que se passa e à guerra que se trava; uma guerra que não é, de todo, a sua.

"Para isso resolvi nunca ser adulto, nem sequer adolescente. 
Ter 9 anos parecia-me a idade ideal para a inconsciência, 
crescer era mau, perigoso e aproximava-me de uma 
realidade com a qual não sabia conviver." 
(pág. 221)


A ESCRITA
A escrita da autora é simples mas, ao mesmo tempo, criativa, se assim a podemos designar: "O jantar foi leve, mas caiu-lhes pesado como se tivessem comido os temores" (pág. 107). No entanto, quando os acontecimentos assim o exigem, a autora também sabe trazer intensidade aquelas linhas: "A avó, a quem eles tratavam por Bobe, já não fazia parte dos vivos e a morte pairava sob um céu sem luz com o regozijo das aves de rapina" (pág. 207).



Gostei muito da forma como Cristina Norton decidiu organizar a narrativa, alternando capítulos em que o narrador era o rapaz pombo, com outros em que nos chega uma narração em terceira pessoa. Graficamente, estas duas perspectivas também são diferenciadas através do tipo de letras utilizado. Tal permite-nos - enquanto leitores -  ter acesso à história pelos olhos de uma criança, que não compreende tudo o que se passa à sua volta, que procura mas não encontra explicações para a maior parte das coisas, e um outro narrador que nos traz os acontecimentos de uma forma mais nua e crua.


A MINHA OPINIÃO
Este é, sem dúvida, um livro com uma temática forte, abordando aspectos também eles muito fortes. Como podem ver pelas linhas anteriores, adorei a história e dei por mim, dias depois de ter finalizado a leitura, a pensar em alguns daqueles momentos descritos pela autora e naquelas personagens. É impossível ficarmos indiferentes a tudo o que nos é contado ao longo destas páginas. 



Na minha opinião, o final poderia ter sido trabalhado de outra forma. Gostaria de ter tido mais informações sobre as personagens que nos acompanharam ao longo da trama. Daí as 4 estrelas e não as 5. 

Não deixem de o ler. Por favor!



08 março 2017

REVIEW | Through the Woods, de Emily Carrol



Título Original: Through the Woods
Autor: Emily Carrol
Editora: Faber & Faber
Data: 1 Julho de 2014
Páginas: 208
ISBN: 9780571288656
Classificação Pessoal:
Goodreads: aqui
O que vamos encontrar: terror, criaturas sobrenaturais, monstros da nossa infância

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A fantastically dark and timeless graphic debut, for fans of Grimm Tales, The Melancholy Death of Oyster Boy and the works of Neil Gaiman 


'It came from the woods. Most strange things do.'
Five mysterious, spine-tingling stories follow journeys into (and out of?) the eerie abyss.
These chilling tales spring from the macabre imagination of acclaimed and award-winning comic creator Emily Carroll.
Come take a walk in the woods and see what awaits you there...
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A HISTÓRIA
Emily Carrol traz-nos um conjunto de histórias de completo terror! A sério, este livro é uma boa sugestão de leitura para Outubro, se quiserem algo que se enquadre na temática do horror.



Neste livro, o perigo espreita a cada página, quando menos se espera: ora temos donzelas que foram esquartejadas e que vivem nas paredes de uma mansão, assombrando os seus habitantes; ora temos homens mortos que regressam à vida de uma forma estranha e inexplicável; como também pessoas possuídas e monstros que se servem do corpo humano, consumindo-o e vivendo como parasitas. Ninguém escapa ao lado mais negro, nesta história!



Os contos acabam por ser mais curtos e algumas das histórias ficam com um final em aberto. Sendo por isso ou pelo facto de se desenvolverem de uma forma mais geral, acabei por sentir que falhava ali qualquer coisa. 

Uma das partes de que mais gostei, foram as páginas introdutórias e finais, com a parte da menina que gostava de ler, à noite no seu quarto, mas que tinha medo de apagar a luz, com receio que surgisse algum monstro; e a parte final, da conclusão, com o capuchinho vermelho que se aventura no bosque e a sombra que lhe fala através da janela. 


A ARTE
E a arte? A arte é fantástica. Linda! Adorei o traço, as cores, o trabalho com os diferentes planos. Na minha opinião, Emily Carrol consegue traduzir nessas pinceladas o medo provocado por essas criaturas que assolam o mundo da narrativa.

E a capa? Lin-da! E com uma textura rugosa. Mais um ponto a somar.




Aconselho vivamente a leitura 😉

07 março 2017

REVIEW | O Rouxinol, de Kristin Hannah


Título: O Rouxinol
Autor: Kristin Hannah
Editora: Bertrand
Data: 2015
Páginas: 432
ISBN: 9788580414677
Classificação Pessoal: 
Goodreads: aqui
Temáticas: Segunda Guerra Mundial


SINOPSE
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França, 1939: No pequeno vilarejo de Carriveau, Vianne Mauriac se despede do marido, que ruma para o fronte. Ela não acredita que os nazistas invadirão o país, mas logo chegam hordas de soldados em marcha, caravanas de caminhões e tanques, aviões que escurecem os céus e despejam bombas sobre inocentes.

Quando o país é tomado, um oficial das tropas de Hitler requisita a casa de Vianne, e ela e a filha são forçadas a conviver com o inimigo ou perder tudo. De repente, todos os seus movimentos passam a ser vigiados e Vianne é obrigada a fazer escolhas impossíveis, uma após a outra, e colaborar com os invasores para manter sua família viva.

Isabelle, irmã de Vianne, é uma garota contestadora que leva a vida com o furor e a paixão típicos da juventude. Enquanto milhares de parisienses fogem dos terrores da guerra, ela se apaixona por um guerrilheiro e decide se juntar à Resistência, arriscando a vida para salvar os outros e libertar seu país.

Seguindo a trajetória dessas duas grandes mulheres e revelando um lado esquecido da História, O Rouxinol é uma narrativa sensível que celebra o espírito humano e a força das mulheres que travaram batalhas diárias longe do fronte.

Separadas pelas circunstâncias, divergentes em seus ideais e distanciadas por suas experiências, as duas irmãs têm um tortuoso destino em comum: proteger aqueles que amam em meio à devastação da guerra – e talvez pagar um preço inimaginável por seus atos de heroísmo. 

Para quem gosta de leituras relacionadas com a Segunda Guerra, esta é, sem sombra de dúvidas, uma boa aposta. Um livro com uma perspectiva diferente do que aconteceu, através do olhar de mulheres que, à sua maneira, marcaram a (sua) diferença.
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A HISTÓRIA
O primeiro capítulo marca a data de 1995, o presente, com uma mulher que se encontra a sair de sua casa, com uma doença terminal. No sótão, abre um baú com diversas recordações que a fazem começar a reviver momentos distantes. O filho pergunta quem Juliette Gervase e essa questão serve de mote para um salto temporal até 1939.

Vianne e Isabelle são duas irmãs que se separam após a morte da mãe e do afastamento do pai, logo depois do seu regresso da Primeira Grande Guerra. Têm uma personalidade completamente diferente: Vianne, acabou por casar e constituir família, trabalhando como professora. Viu o seu marido Antoine ser destacado para a frente de batalha mas, vai vivendo na esperança do seu regresso. É a mais consciente do perigo e sempre se segure pelas regras. Já Isabelle, é a alma aventureira e que, desde cedo, quer marcar pela diferença naquela guerra. Não quer ficar de braços cruzados, quer fazer algo pelo seu povo.

Isabelle vai conseguir ser uma peça importante no movimento rebelde, salvando vidas. Uma mulher de coragem, vocês não imaginam os perigos por que passou e a quantidade de vezes em que arriscou a sua vida para salvar a dos outros. Vianne vai acabar também por ter um papel importante no meio rural onde vive, salvando tantas outras vidas.



A realidade da guerra é muito bem retratada. O medo espreita a cada página que se vira, com cenas fortes e momentos que nos fazem ficar com o coração pequenino. E, ao longo das páginas, vamos assistindo ao passar do tempo e dos anos e vendo o intensificar da guerra e das consequentes dificuldades que iam surgindo, dia após dia. E esse foi outro dos aspectos de que mais gostei nesta obra.

Outro ponto a favor para o romance vivido entre duas das personagens presentes na história. Um romance simples, nem sempre doce e nada lamechas. Um romance com momentos descritos e que eu podia dizer que, de facto, bem poderia ter-se passado dessa mesma forma.


AS PERSONAGENS
Isabelle cativou a minha simpatia desde as primeiras páginas. O temperamento rebelde e a forma corajosa com que desafiava as regras e a autoridade fizeram-me, muitas vezes, sorrir. Mas Vianne acabou por demonstrar a sua força mais para o final do livro e isso também me fez nutrir um carinho especial pela mesma.

Há mais personagens femininas importantes para além destas duas. Mulheres que foram cruciais no movimento rebelde, mulheres judias que foram obrigadas a deixar os seus empregos e a partir em carros de transporte de gado para os campos de concentração, mulheres que viram partir os seus maridos para a guerra que os roubava das suas vidas e tantas outras mulheres sem nome que ajudam a caracterizar aquele ambiente de opressão e de fome, de sofrimento e de medo.

As personagens são ricas e muito fortes, muito bem retratadas. Um trabalho muito bem feito.



A ESCRITA
É fantástica. Simples e cativante, sem floreados, sem trazer episódios desnecessários ao desenrolar da narrativa. Diálogos bem estruturados e concisos; capítulos mais curtos, intercalados com alguns mais longos.


A MINHA OPINIÃO
São 500 páginas mas aposto que nem dão pelo passar do tempo!

Um livro que trouxe algo de novo depois de tanta coisa que eu já li sobre o tema; o que é, fantástico! Muito bem escrito e estruturado, notando-se uma boa pesquisa por parte da autora.


Acho que não me engano ao afirmar que será uma história que vai agradar a praticamente toda a gente.

Cinco estrelas!




28 fevereiro 2017

REVIEW | Escritos, de Vasco Jardim


Título: Escritos
Autor: Vasco Jardim
Editora: -
Data: 2016
Páginas: 123
ISBN9789896914912
Classificação Pessoal: 
Goodreadsaqui
Temáticas: Amor, solidão, a vida, procura de nós próprios, vida a dois, morte

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“Deixa-te estar, deitada em mim, ofegante e plena. Deixa o teu corpo respirar-se de volta, de

regresso ao mundo dos vivos. Aqui não é o paraíso de onde vieste, mas é o melhor que
podemos arranjar. Somos só nós, e nós é suficiente.”
Escritos é um testemunho. Meu, teu, de todos.
É a vida vista pelos olhos e pela alma de cada um de nós. As dores, a solidão, os momentos
de prazer, os amores ocasionais e os que não se esbatem pelo passear dos dias ou anos.
Uma colecção de textos revisitados, revistos e sentidos, onde predomina o questionar de
todas as emoções, das mais obscuras às mais luminosas dos nossos dias. Uma viagem
pelos mais puros recantos de quem somos e de quem gostaríamos de ser.
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Fiquei muito contente quando fui contactada por um representante/amigo do autor, convidando-me a ler este livro. A sinopse intrigou-me bastante e decidi investir na leitura.

Este livro é uma colectânea de textos originais que resultou, em grande parte, de vários textos que o autor escreveu no seu blogue "Admirável Mundo Escrito".


Através de uma escrita poética, brincando com as palavras (por vezes reinventando-as) e com as frases, o autor traz-nos diversos relatos, diversas histórias, sobre o seu quotidiano. O livro está escrito em formato de capítulos curtíssimos e cada um retrata um tema, uma pessoa, um momento. É um livro que se lê muito rápido, não só pela fluidez da escrita, como pelo formato adoptado, como também pelos temas retratados que acabam por ser comuns a muitos de nós.



Apesar disso, escolhi fazer uma leitura mais lenta, encontrando o meu próprio ritmo, de forma a poder absorver todos os sentimentos que esta leitura me poderia oferecer.


Tenho que confessar que não me identifiquei tanto com a leitura dos capítulos de vida a dois, talvez porque não seja bem a minha praia, talvez porque não em sinta muito à vontade com episódios tão intimistas. No entanto, posso destacar, a título de exemplo, outras passagens que se tornaram preferidas, como: 
   - "Cubo", em que o protagonista se encontra preso num cubo, falando-nos de solidão e sobre "o nosso mundo", 
    - "Pesadelos Alheios", que, para mim, fala da falta de paz que tantas vezes nos assola, o peso da dor e do sofrimento de perda,
     - "Ela é uma Pessoa", que nos traz a Solidão personificada, numa pessoa.
    - "Necessidades", que retrata um daqueles dias em que simplesmente nos apetece ficar sozinhos, em que precisamos de nos esquecer por completo.





Confesso que este género de livros não é bem bem a minha praia, mas gostei de ler e proporcionou-me alguns bons momentos. As minhas três estrelas reflectem a minha vontade em ler mais coisas do autor, mas mais próximas das temáticas abordadas nos textos que seleccionei como preferidos, nesta obra, uma vez que não me identifiquei tanto com as passagens relacionadas com a vida a dois.



Para quem gosta de textos mais intimistas, mais poéticos, penso que tem aqui uma boa aposta.


E vocês, já leram? Gostam deste género de livros?

30 janeiro 2017

REVIEW | Bando de Corvos, Anne Bishop



Título Traduzido: Bando de Corvos
Autor: Anne Bishop
Editora: Saída de Emergência
Data desta edição: 2016
Páginas: 416
ISBN: 9789896379209
Classificação Pessoal: 
Goodreadsaqui

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Nesta nova série somos transportados para um mundo habitado pelos Outros, seres sobrenaturais que dominam a Terra e cujas presas prediletas são os humanos. 


Depois de conquistar a confiança dos Outros que habitam Lakeside, Meg Corbyn teve alguma dificuldade em perceber o que significa viver entre eles. Como humana, Meg deveria apenas ser tolerada como presa, mas os seus dons como cassandra sangue tornam-na algo mais. 

A aparição de duas drogas aditivas foi a faísca que desencadeou a violência entre os humanos e os Outros, resultando em mortes para ambas as espécies nas cidades limítrofes. Quando Meg tem um sonho sobre sangue e penas negras na neve, Simon Wolfgard – o líder metamorfo de Lakeside – pergunta-se se a profetisa de sangue sonhou com o passado ou uma ameaça futura.

À medida que as profecias se revelam a Meg, cada vez mais intensas e dolorosas, as intrigas adensam-se em Lakeside. Agora, os Outros e o punhado de humanos que aí residem terão de reunir forças para parar o homem que se assume como o verdadeiro profeta de sangue – e extinguir o perigo que ameaça destruir todos os clãs. 

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Este é o segundo livro da série Os Outros, da já famosa autora Anne Bishop. A minha estreia com esta senhora aconteceu com Letras Escarlates, o primeiro volume desta série e... não poderia ter começada de melhor forma!

Já vos falei deste primeiro livro aqui, por isso, com esta opinião não me vou alongar muito muito, uma vez que é a continuação da série e podem ocorrer alguns spoilers.


A HISTÓRIA
Neste livro, continuamos a acompanhar as aventuras da nossa Meg. Esta personagem continua a trabalhar em Lakeside e a trama continua a desenrolar-se à volta das suas visões. Meg é uma Cassandra de Sangue e, de cada vez que faz um corte na sua pele, consegue visualizar acontecimentos futuros. Uma vez mais, com a ajuda dos que a rodeiam, vai tentar impedir o pior e salvar algumas vidas.


A par disto, continuamos a tentar descobrir o que anda a acontecer por aqueles locais, com o aparecimento da nova droga que tem efeitos nocivos naqueles que a consomem. A tensão entre os Outros e os humanos aumenta, o que faz com que o leitor não consiga evitar virar a próxima página, para saber o que vai acontecer.


AS PERSONAGENS
Continuo a adorar a Meg -  que personagem encantadora e doce. É impossível não gostarmos dela! A autora conseguiu construir tão bem esta personagem que se torna fácil compreender a relação e o carinho que os Outros têm por ela, uma vez que, até nós leitores, partilhamos esse mesmo sentimento.
Neste livro aparecem novas personagens, algumas bastante curiosas mas, todas elas, com um papel no desenrolar da narrativa. O que só prova que nada é deixado ao acaso nestas páginas.



Outro ponto a favor desta série é que a autora consegue criar um acontecimento clímax, uma intriga, e fecha a sua resolução no mesmo livro. Ou seja, a maior parte dos conflitos resolve-se durante a leitura que estamos a fazer e raras são as pontas que ficam soltas e à espera do volume seguinte. E esta é, sem dúvida, outro dos aspectos a louvar na autora. Gosto de viver o mistério e a intriga no livro, mas gosto que a minha curiosidade como leitora seja saciada e que a maior parte desses mistérios sejam solucionados. É importante que algo fique no ar, de forma a motivar-nos a leitura do volume seguinte, mas gosto que algumas pontas não fiquem soltas.


No que respeita à relação entre Meg e Simon, wow! Neste volume vemos os laços entre eles a crescerem mas, sem nada de muito concreto. Até agora, esta está a ser uma das relações de que mais tenho gostado nos livros de fantasia: não há um evoluir de sentimentos de forma muito repentina, nem um insta love. É uma relação que se vai construindo aos poucos e de uma forma muito especial, muito verosímil. Adorei a forma como Simon tem sido uma peça importante na "recuperação" de Meg, ajudando-a a evitar os cortes e preocupando-se com o seu bem estar.


Uma história que vai ficando ~ atrevo-me a dizer ~ cada vez melhor à medida que avançamos na leitura e nos volumes que vão sendo publicados. Uma autora que escreve com mestria, que nos consegue envolver naquele mundo e criar empatia com as suas personagens; um mundo rico de imaginação, trazido para estas páginas através de uma escrita deliciosa.


Acho que já deu para entender que esta saga continua a ser uma das minhas favoritas de sempre, não dá? Se gostam de livros de fantasia, não percam!

Mais uma vez, quero agradecer à Saída de Emergência por gentilmente ter cedido esta obra para uma review verdadeira. Obrigada pela confiança e pela oportunidade que me deram.