24 novembro 2015

Review | Sono, de Haruki Murakami


Título Original: Sono
Autor: Haruki Murakami
Editora: Leya - Casa das Letras
Data: 2013
Páginas: 96
ISBN9789724622033
Classificação Pessoal:
Goodreads: aqui
Assuntos abordados: Rotina, o ciclo da vida e a descoberta de si mesmo

«Há dezassete dias que não durmo.» Assim tem início a história que Haruki Murakami imaginou e escreveu sobre uma mulher que, certo dia, deixou de conseguir dormir. Pela calada da noite, enquanto o marido e o filho dormem o sono dos justos, ela começa uma segunda vida. E, de um momento para o outro, as noites tornam-se de longe mais interessantes do que os dias... mas também, escusado será dizer, mais perigosas. 




Este foi o primeiro contacto que tive com o escritor, Haruki Murakami. Já sabia que este era um escritor bastante particular, que desencadeava sensações e opiniões positivas e outras mais negativas. Algo como, ou se gosta ou não se vai muito à bola.


Devo confessar que escolhi este livro, para começar, porque era bastante pequenino e estava cheio de ilustrações grandiosas. E não me enganei: as imagens são lindíssimas e prendem-nos a cada página que viramos. No entanto, a história de poucas páginas revela-se muito mais profunda do que aquilo que aparentemente poderia querer fazer parecer.



Da personagem principal pouco nos é revelado. Trata-de se uma mulher de trinta anos, já casada e mãe de um menino, que trabalha como dona de casa. Os dias são passados de forma rotineira: entre fazer o almoço para o marido - que trabalha como médico dentista, num consultório, a dez minutos de casa -, a dar umas braçadas na piscina, depois do almoço; a fazer as compras diárias para a casa e a acompanhar o filho fora da escola. 

Pela descrição da narradora, a mulher de trinta anos da qual nunca saberemos o nome, a vida resumia-se basicamente a essa rotina, "em que cada dia era mais ou menos a repetição exacta da véspera". (p. 20)

Mas algo vem abalar esta vida rotineira, algo tão simples como não conseguir dormir: "Há dezassete dias que não durmo" (p. 5) e esta incapacidade de fechar os olhos e entrar no subconsciente é muito mais do que insónia, explica-nos a protagonista, "Acontece apenas que não consigo dormir (...) Não tenho sono e a minha mente está perfeitamente lúcida" (p. 8). E o mais estranho é que ninguém se apercebe desta mudança.


O dia passa agora a ter as 24 horas disponíveis com actividades extra. E o que é que poderíamos fazer se tivéssemos tanto tempo livre para nós mesmos? Ler, pois claro! E é isso que esta senhora faz, vai à estante e começa a reler uma das suas obras preferidas: Anna Karenina, "virava as páginas do livro, absorta na leitura, sem pensar em mais nada" (p. 36), coisa que já não fazia há algum tempo.


Outras novidades são igualmente introduzidas no seu quotidiano: começa a acompanhar a leitura com algum conhaque e chocolate - em casa nunca tinham bolachas ou chocolate, já que o marido não gostava que ela "coma doces e é coisa que quase não dou a provar ao meu filho. Por hábito, em casa não temos bolos nem bolachas nem nada do género guardado na despensa" (p. 43) e a realizar alguns passeios nocturnos, no seu Civic. 



No meio de tanta rotina, assistimos a várias considerações da personagem relativamente à sua vida, ao seu marido e ao próprio filho, momentos de reflexão e de, julgo eu, uma constante descoberta sobre o eu e a vida.


Gostei muito deste livro, tenho de confessar. Gostei da forma como me fez pensar e divagar. No entanto, o final foi um pouco diferente daquilo que esperava e, depois de uma história tão "abstracta" e misteriosa, contava com um desfecho mais preciso, que me orientasse um pouco mais nas minhas próprias conclusões e, na verdade, não foi isso que aconteceu. Senti que me faltava um fio condutor. Fiquei com mais perguntas do que respostas... o que acontece a esta mulher? Fica presa naquela eternidade? Morre? Desperta de um sono profundo? Fico sem saber...
















Aconselho a leitura, no entanto. Murakami tem uma escrita lindíssima, fluída e simples. Talvez a vossa leitura possa aportar alguma ideia nova a estas minhas considerações... "Desisto. Nunca serei capaz de encontrar a chave" (p. 85).

4 comentários:

  1. Adorei a review, nunca li nada do autor, mas tenciono faze-lo! Este livro pareceu-me um bom começo :)

    xoxo, Sofia Pinto
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    1. Obrigada pelas palavras :) sim, é um livro bastante interessante.. não sei se é o melhor para começar a ler Murakami, mas é pequenino e bem bonito :) **

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  2. Olá Mary, já ouvi falar muito bem de Haruki Murakami e este livro deixou-me curiosa, tem ilustrações lindíssimas.
    Beijinhos

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    1. É bem verdade :) as ilustrações deste livro são um "wow" :) lê :) bjs

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