19 fevereiro 2016

REVIEW | Morreste-me, de José Luís Peixoto


Título Original: Morreste-me
Autor: José Luís Peixoto
Editora: Quetzal
Data: 2009
Páginas: 60
ISBN9789725648025
Classificação Pessoal: 

Goodreadsaqui

Não devia primeiro fazer a review dos livros que estão em espera desde Janeiro? 

Devia. Devia sim.

Mas este é... um dos livros mais bonitos que já li na vida. E sim, apetecia-me falar sobre ele.

Há mais de dez anos que queria este livro. Sim, dez anos! Em Dezembro, o meu irmão ofereceu-mo na nossa visita à Livraria Lello.


Tanta coisa poderia ser dita sobre esta obra, mas não me sai mais do que algumas frases. Sessenta páginas que se lêem de uma assentada mas que nos marcam e nos fazem pensar e voltar a elas durante dias e dias.


Peixoto traz-nos o relato da morte do pai e o processo de luto, misturado com frequentes passagens em que revive a infância e os momentos ao lado do progenitor. Como podem imaginar, é um livro carregado de tristeza, dor, sofrimento e saudade, mas também de alegrias e momentos de felicidade, de crescimento e conhecimento.


Mas é sobretudo, um livro que dói ao virar de cada página já que o passado é sentido agora pela dura perda de um ente querido. E se vocês já perderam alguém assim tão importante, de certeza que se vão identificar com algumas destas passagens. É de extrema beleza a forma como o autor transfere para o papel todos os sentimentos que atravessa e a forma como se sente e se integra no mundo, depois de o pai morrer.


Há quem diga que é uma obra demasiado pessoal, com sofrimento de outrem e que, por essa mesma razão, deveria ter ficado restrita ao autor e à família. Eu discordo, discordo totalmente. Quem me dera ter tido a oportunidade de ler estas palavras há uns anos atrás... o bem que isto me fazia! E quantos poemas lemos que têm a mesma linha de sentimentos? Quantos poemas que nos relatam sentimentos tão pessoais e tristes? Este é só escrito em prosa e tem um número maior de palavras... Nada mais.

É lindo.

A começar pelo título ~ Morreste-me ~ às últimas palavras: "(...) ficaste todo em mim. Pai. Nunca esquecerei".


É um livro que quero reler vezes sem conta na minha vida.

É um livro que ofereceria quase a qualquer pessoa. Porque nos toca e porque nos fala de um sentimento que é comum a quase todos nós.


7 comentários:

  1. Este livro é maravilhoso! Tocou-me imenso. Aliás, acho impossível alguém ficar indiferente a este livro, por muito que ache que pode ser "demasiado pessoal". Eu adorei o livro, por (ou apesar de) toda a dureza e toda a tristeza que encerra...

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    1. Concordo plenamente contigo :) acho que nos toca de uma forma tão bonita e profunda! Quero, de certeza, relê-lo muitas mais vezes :)

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  2. Partilho da tua opinião. Eu tenho o meu à cerca de uns 6-7 anos (quando o reeditaram), e já o reli umas quantas vezes. Ora, eu não sou de reler livros, por isso acho que isso já diz tudo acerca do quão bonito ele é. Eu arrisco mesmo a dizer que ele é um pouco terapêutico. Para mim, é simplesmente um dos melhores livros do autor (e eu já li todos os livros dele :p).

    Beijinhos

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    1. Quero ler mais livros do Peixoto, mas este é-me muito especial, talvez pelo próprio tema. Já leste todos? uau :) outro que me aconselhes?

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  3. Olá Mary!
    Nunca li nada de José Luís Peixoto mas tenho muita curiosidade! E este livro parece ser muito bom!
    Beijinhos

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    1. É super hiper mega bom e pequenino de se ler :) dá-lhe uma hipótese ;) beijinhos

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  4. Já ouvi maravilhas deste livro e confesso que estou muito curiosa.

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