04 maio 2016

REVIEW |Vamos comprar um poeta, de Afonso Cruz



Título Original: Vamos comprar um poeta
Autor: Afonso Cruz
Editora: Editorial Caminho
Data: 2016
Páginas: 101
ISBN9789722127998
Classificação Pessoal: 

Goodreads: aqui

Deixem-me começar esta opinião com um suspiro...

"Puffff, que livro fantástico!"

Esta livro conta-nos a ~ história ~ de uma sociedade materialista em que as pessoas recebem números, em vez de nomes, e em que tudo parece medido ao mais ínfimo, sejam eles os alimentos ou os sentimentos entre as pessoas. Tudo parece matematicamente medido e pesado até ao milímetro (ou ao grama!).

Nesta sociedade, é também possível ter um artista como se fosse um animal de estimação. Sim, vamos à loja e comparamos características e aspecto físico e... compra-se um artista. Ou um poeta - como no caso -  porque suja menos que o artista.

Tal e qual como quando adquirimos um animal, as perguntas sobre a espécie surgem em catadupa:
"É subversivo?
O que come?" 
(pág. 9)

E esperam-se respostas orientadoras:
"deambulam, esquecem-se de comer, 
deixam a refeição a meio e são 
mais asseados que um artista".

As descrições que se fazem do poeta e do seu processo criativo são fantásticas. Que forma tão bonita de falar sobre eles e de nos mostrar como é o seu mundo, vendo sempre "ligações de sentido onde nós não nos apercebemos de nada" (pág. 26) ou ficando mal dispostos "por causa de uma palavra que tem que escrever" (pág. 43).


Que livro tão pequenino e... tão grande! Os livros não se medem aos palmos... são como os homens!

Um livro que nos faz pensar em tanta coisa! Uma delas é o papel e o impacto do processo criativo e da cultura nos dias de hoje. O autor diz, e muito bem, que a ficção e a cultura constroem tudo o que somos. Bem verdade!


A parte final, em jeito de posfácio, reserva algumas páginas com considerações e reflexões importantes sobre os temas abordados: a ficção e o poder imaginação e da criação; o impacto do sector económico; a melhoria das condições de trabalho e o correspondente incremento da produção; a ficção como fuga à realidade e às suas injustiças, ...

No fundo, o poeta tem o poder de mudar imensa coisa e nós, como leitores, vamos poder observar a mudança que ele vai trazer à pequena protagonista da nossa história...


Como podem depreender pelas minhas palavras, ~ adorei este livro ~. É o segundo que leio do autor e acho que vou gostando cada vez mais da forma como ele brinca e poetiza com as palavras e as ideias.

Deu-me uma certa nostalgia ~ confesso ~, para voltar novamente à sala de aula e tratar este texto com os meus alunos. Tenho a certeza que arrebataria muitos sorrisos e empatia por este poeta que, como todos os outros, "não entende a pirâmide das necessidades, para ele o mais importante é a liberdade".

Leiam. Por favor!


2 comentários:

  1. :) CLARO QUE concordo com tudo :) beijinhos
    Roberta

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    Respostas
    1. Oba :) hi5 :) *** não adorasses tu Afonso Cruz :) beijinhos

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