12 agosto 2016

REVIEW | A Cor Púrpura, de Alice Walker


Título Original: A Cor Púrpura 
Autor: Alice Walker
Editora: Círculo de Leitores
Data: 1ª ed: 1982, a minha edição 1986
Páginas: 211
Classificação Pessoal:
Goodreadsaqui
Temas: amor, ódio, poder, desigualdade de género e de etnias, racismo, opressão, sexualidade, religião.

Já tinha este livro na minha wishlist há algum tempo e foi com enorme alegria que o descobri, num alfarrabista, a 2,50 euros. Uau, que pechincha por um livro tão bom!

Vamos então à sinopse desta obra:

{ Através das cartas que escrevem uma à outra, duas irmãs negras americanas falam das suas vivências pessoais, dos seus dramas, mas também das suas alegrias, na época que separou as duas guerras mundiais.

Obra vigorosa - que levou alguns críticos a comparar Alice Walker com Faulkner - este romance valeu à autora, negra também ela, os dois prémios máximos da literatura norte-americana de ficção em 1983: o Pulitzer e o American Book Award.
E deste romance fez Steven Spielberg um filme admirável. }

Este romance epistolar ~ com cartas dirigidas, inicialmente, a Deus e depois à irmã da protagonista ~, traz-nos a história de Celie, uma menina negra de 14 anos, que vive no sul dos Estados Unidos, na primeira metade do século XX. Trata-se de uma menina praticamente analfabeta que acaba por ser abusada, quer física quer psicologicamente, por uma pessoa que lhe é próxima.


Fruto dos abusos sofridos, Celie acaba por ter dois filhos, dos quais se vê obrigada a separar, para garantir que continuem em segurança. É na irmã Nettie que acaba por encontrar o seu apoio. Cuida dela e protege-a com todas as suas forças, procurando mantê-la afastada de todos os maus tratos que ela mesma já sofre. Celie vê-se obrigada a casar com um homem muito mais velho, o Sr. ________ e, por circunstâncias da vida, separa-se da irmã, perdendo-lhe o rasto.

Mais tarde, na casa do Sr. _______, vai conhecer alguém que vai abanar por completo a sua vida, que a vai "fazer acordar" e descobrir facetas até então escondidas. É Shug Avery, uma conhecida cantora de blues,  que vai fazer com que Celie desperte para a vida.


E digo-vos, é impossível ficar indiferente a esta amizade que se vai estabelecer entre as duas e ao carinho que as une. Na minha opinião, Shug Avery é a verdadeira responsável pela salvação de Celie, pelo crescimento da mesma enquanto pessoa e mulher.


Mas o livro é muito mais do que isso... é um apelo à reflexão do leitor a temas tão importantes como a religião, as desigualdades sociais e de género, à sexualidade, ao amor e ao ódio, ao poder, .... A cada página há uma crítica, uma denúncia, uma esperança e um ensinamento da força da personagem principal. É tocante e, se forem como eu, vão sentir-se pequeninos com os vossos problemas...

Como seria de esperar num livro desta envergadura, as personagens são todas muito bem construídas, dotadas de densidade psicológica, ajudando-nos a compreender o tempo e o espaço em que se inserem. Longe de serem meras marionetas, são elas que nos ajudam a conhecer Celie e a mulher negra da altura.


Algumas das personagens femininas, como a Nettie e a Sofia, mostram-nos que no meio de tanta injustiça e dor, ainda há mulheres que lutam por aquilo em que acreditam e que julgam estar certo, que são guerreiras e são elas que vão ajudando Celie a tomar consciência de tudo isso e a ter orgulho em si mesma. A mudança é lenta, é verdade, mas efectiva. Celie encontra um novo rumo na sua vida, o que revela uma grande vitória para a época em que a história foi escrita. Coragem e superação são duas palavras que vão começar a definir a nossa personagem.


No que respeita à linguagem, confesso que tive alguns problemas iniciais com esta obra. No início do livro, e como a personagem é analfabeta, a linguagem por ela utilizada é mais rústica e simples, com imensas expressões orais, erros gramaticais e alguns regionalismos, característicos da zona agrária dos EUA. No entanto, pensando bem, não poderia ser de outra forma!! Não se deixem intimidar porque mais para a frente, na história, estes aspectos acabam por se atenuar. Depois vão perceber a razão.



Como seria de esperar, a crítica mordaz e assertiva está presente do início ao fim do livro. Sem rodeios nem meias palavras, é tao forte e (ainda) tão actual ~ em determinados aspectos ~, nos dias de hoje.


Dá para perceber que este livro está mais do que recomendado, certo? Leiam!

5 comentários:

  1. Um livro soberbo :)
    Para ler e reler.

    Boas leituras Mary!

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    1. Bem verdade :) tenho a certeza que o vou reler mais tarde ;)
      Boas leituras também ***

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  2. Respostas
    1. Com este livro??? ui, a sério? não gostaste? diz aí duas ou três coisinhas então...

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    2. https://www.youtube.com/watch?v=nR0SrkMDIwA

      Assim entendes melhor.

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