21 setembro 2016

REVIEW | Os números que venceram os nomes, de Samuel Pimenta


Título Original: Os números que venceram os nomes
Autor: Samuel Pimenta
Editora: Marcador
Data: Setembro de 2015
Páginas: 172
Classificação Pessoal:
Goodreadsaqui
Temas: distopia, opressão, poder, perda de identidade, religião

Este livro já me andava debaixo de olho há algum tempo, não só pelo tema distópico, como também pela sinopse que prometia uma história um tanto ao quanto diferente. Agradeço à Marcador a amabilidade no envio deste exemplar para opinião.


Leiam-me esta sinopse e digam-me se não ficam curiosos:
Este livro lê-se de uma assentada: poucas páginas e um tipo de letra maior. Mas apesar do tamanho, a história não nos abandona, mesmo depois de terminado. Para este ritmo acelerado contribui a escrita magnífica do autor e a originalidade da história, num enredo criativo mas simples (simples no sentido de não nos ser difícil imaginar aquele cenário, enquanto leitores).


Samuel Pimenta traz-nos a história de Um Nove Um Seis, que se encontra num hospital psiquiátrico a "curar-se" de algo que lhe aconteceu e que a sociedade considera nocivo. No decorrer da narrativa, somos levados a conhecer o seu passado e, ao mesmo tempo, as nuances que caracterizam este mundo futurista, em que os nomes deixaram de existir, numa altura em que "os humanos deixaram de responder perante um nome próprio, mas perante um número próprio atribuído à nascença. Único e intransmissível" (p. 18).


Depois de "descoberta a equação que prova a existência de Deus" (p. 15), a civilização nunca mais foi a mesma. Cientista e representantes do governo reuniram-se e decidiram substituir os nomes, "de forma a universalizar a identidade numérica e mensurável de Deus" (p. 16). Desta forma, não só os habitantes, mas também os países, as cidades, os hospitais, ... tudo deixou de ter um nome próprio para passar a ser identificado por um número, numa tentativa redutora, de despersonalização de pessoas e bens. Como acontece em quase todas as sociedades distópicas, o governo tem acesso e manipula toda a informação pessoal de qualquer cidadão, "Tudo. O controlo da humanidade imposto pela numeração" (p. 18).


Não podiam também faltar as pinceladas críticas à religião. Uma das partes que mais gostei foi quando Um Nove Um Seis recorda os momentos em que ia com os pais ao templo da cidade:

O entrelaçar da narrativa é tão bem urdido que muitas vezes me senti perdida entre o sonho e a loucura do nosso protagonista, que vai revivendo situações passadas. Este feito é extremamente bem conseguido através da escrita peculiar do autor, que escreve sem sinais de pontuação que não sejam a vírgula e o ponto final. Portanto, nada de pontos de exclamação ou interrogação. As frases seguem-se umas às outras, num texto corrido que intercala as falas e pensamentos das diversas personagens.


É no manicómio, entre momentos de loucura, que ele conhece o seu companheiro de quarto. Tal como muitos outros, o velho Um Quatro Um Seis, pertence à chamada Resistência e vai ajudar Um Nove Um Seis no processo de conhecimento de si próprio:
É também ele que ajudará a personagem principal a descobrir quem é o misterioso homem que lhe aparece diversas vezes, de forma misteriosa e inexplicável. E são esses laços que se começam a criar, de forma subtil entre ambos, que o ajudarão a salvar-se.




E qual a minha opinião face a isto tudo?
Adorei fazer esta leitura! Gostei da ideia e da forma como o Samuel a desenvolveu, embora ache que podia ter sido um pouco mais trabalhada. Queria mais!

É uma leitura que recomendo a todos os que gostam de distopias e de histórias que nos fazem sempre reflectir um pouco mais em relação à nossa sociedade. Se forem como eu, vão ficar a pensar em certos pormenores durante dias a fio.





4 comentários:

  1. Olá
    Parece ser um livro a apostar! Fiquei muito curiosa.
    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu gostei muito :) Pode ser que também seja o teu estilo :)
      beijinhos

      Eliminar
  2. Olá Mary,
    Tenho muita curiosidade com este autor, especialmente este livro. Vou tentar ler em breve.
    Gostei muito da tua opinião.
    Beijinhos e boas leituras

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Oupa :) fico contente que tenhas gostado! Foi uma leitura bastante boa.. espero que também seja do teu agrado!
      beijinhos e obrigada por passares por cá :)

      Eliminar